26 de janeiro de 2011

Decidi


Quero desaparecer.
Não suporto ter-te mais por perto.
O encanto foi-se como as folhas ao vento, lentamente, uma por uma, até não restar mais nenhuma nos ramos da árvore.
Eu sinto-me como uma árvore despida. A vergonha e a revolta tomaram conta do meu corpo e da minha alma. As almofadas já não me confortam. A televisão e o computador entediam-me.
Mas não te quero mais ao pé de mim. Não há volta atrás. Mesmo que isso implique definhar.
No entanto, hei-de florescer outra vez.

8 de outubro de 2010

Amor no Outono

Hoje choveu, fez vento e trovejou.
Os dias estão mais curtos e escuros.
As folhas amarelas, vermelhas e castanhas cobrem o chão. Cores quentes que contrastam com o frio que gela o meu corpo e o meu coração.

A Primavera parece agora tão distante... No entanto, está cada vez mais perto! Cada estação do ano dura 3 meses mas, quando acaba, promete voltar 9 meses depois.

Será assim também com o amor? Volta depressa Primavera!

2 de outubro de 2010

Hoje ao acordar dirigi-me à janela

Hoje ao acordar dirigi-me à janela para olhar o céu. Estava frio, mas o sol brilhava intensamente.
Percebi que é exactamente assim que me sinto. Apesar de viver numa sociedade fria e desumana, a esperança num futuro melhor aquece-me o coração.

7 de setembro de 2010

Recomeçar














Como lidar com as marcas de um antigo amor?
Como ultrapassar o desalento de uma paixão não correspondida?
Como encarar o futuro com o coração cheio de cicatrizes?
Como olhar para uma pessoa sem que a experiência do passado condicione a nossa percepção e comportamento?
Como voltar a ter o coração puro?

Será sempre possível começar de novo?

Quero limpar o pó e reunir todos os cacos


Quero limpar o pó e reunir todos os cacos
E recomeçar a edificar a minha vida.
Contigo ou sem ti, vou juntar todos os pedaços
Uma nova aventura, uma nova partida.

Mas quero que saibas que ainda te amo
E isso eu jamais poderei ignorar...
Da minha vida és o principal ramo
Ou de ti cuido, ou terei de te cortar...

Porque sofrimento vão não constrói
E tenho de enveredar pelo meu caminho,
Se comigo não vieres o coração dói,
Se me acompanhares terás o meu carinho.

12 de agosto de 2010

A mão no ombro

Como se tu alumiasses
ainda
cada degrau, cada palavra,
e a noite não fosse
a única porta estranhamente
branca,
eu subia sem conhecer o ombro
onde apoiava a mão.


Eugénio de Andrade