2 de agosto de 2005

Ser Poeta

Ser poeta é ser mais alto, é ser maior
Do que os homens! Morder como quem beija!
É ser mendigo e dar como quem seja
Rei do Reino de Aquém e de Além Dor!

É ter de mil desejos o esplendor
E não saber sequer que se deseja!
É ter cá dentro um astro que flameja,
É ter garras e asas de condor!

É ter fome, é ter sede de Infinito!
Por elmo, as manhãs de oiro e de cetim...
É condensar o mundo num só grito!

E é amar-te, assim, perdidamente...
É seres alma, e sangue, e vida em mim
E dizê-lo cantando a toda a gente!

Florbela Espanca, CHARNECA EM FLOR

2 comentários:

Toranjinha disse...

O meu problema é que estou completamente incapaz de ler o poema, sem ouvir a música!!!
Bolas...

sara disse...

Sempre adorei Florbela Espanca, mas este poema de cada vez que o tento ler, acabo sempre por cantá-lo. Adorei o blog.
beijo